Um dia desses deixei o carro em casa. E o
dia pouco importa, porque o que escrevo a seguir, não está restrito a um dia e,
infelizmente, também não é exceção. O
fato é que deixei o carro em casa. Não sei se por amor à natureza que, sei, não
tem mais salvação ou simplesmente para economizar uns trocados de combustível
que não fazem a mínima diferença no orçamento do mês, pois o que economizo acabo
gastando tudo de novo em outros trajetos. Deixei o carro em casa e andei até a
estação de trens desviando dos cocôs de cachorros – e são vários – distribuídos
pelo caminho do bairro onde moro. Não quero aqui entrar na seara dos vendedores
ambulantes, que invadiram os trens igual a gafanhotos na lavoura, porque –
apesar de respeitar o fato de que poderiam estar matando, roubando e coisa e
tal, estão trabalhando – não concordo com a ocupação ao bel prazer de todos os
espaços onde caiba um carrinho de picolé e, ou qualquer outro suporte para
vender toda sorte de produtos: chocolate, cachaça, banana, DVD pirata,
cigarros, bilhetes de embarque (sim, bilhetes de embarque, vendidos em uma
espécie de câmbio paralelo ao revés e negociados a preço mais baixo que o
oficial na bilheteria... e não me pergunte como conseguem essa proeza). Mas neste
dia fui trabalhar de trem. Não é simplesmente um trem: são os trens da linha 7-
Rubi, da Companhia de Trens Metropolitanos de São Paulo, a CPTM, e só quem já
teve ou tem o desprazer de entrar em um deles, conhece as agruras de sacolejar
em um transporte meia-boca em quase todos os sentidos. Para se ter uma ideia,
nesse trecho ainda circulam composições fabricadas em 1956, portanto, 61 anos. Entrei
na estação de Francisco Morato, município distante uns 50 quilômetros da
capital e que, não sei porque, é um terminal – que não é terminal – porque
depois de Francisco Morato ainda tem mais quatro estações e aí sim vem o
verdadeiro terminal Jundiái. Caminhei por entre ferragens de uma construção que
se arrasta há vários anos – uns seis ou sete, não sei ao certo – e para acessar
a plataforma cortei caminho passando por um corredorzinho improvisado,
literalmente pisando na linha férrea ou, como dizem: passagem em nível. É por
ali que todos os passageiros transitam, se não quiserem atravessar por uma
escada feita de andaimes de construção, uma gambiarra improvisada há anos e
que, ao que parece, deve permanecer ali por mais algum bom tempo (bom, no sentido
figurado, claro). Nos autofalantes da estação, a todo momento são veiculadas
mensagens de orientação aos usuários, do tipo “não ande mexendo no celular,
para não causar acidentes e não atrapalhar a circulação dos demais
passageiros”; “não corra, a pressa pode causar acidentes” e uma completamente
dispensável: “nas escadas rolantes, segure as crianças pelas mãos”. Esta
mensagem seria de grande utilidade, se no local houvesse alguma escada rolante.
Não tem. Escada ali, só mesmo a tal feita de andaimes de construção. A
gambiarra. É impressionante como a estação enche de gente em tão pouco tempo e
para agravar a situação, os trens demoram para chegar e para sair,
principalmente fora dos chamados horários de pico. O relógio beirava as 10h e
eu ali esperando o dito-cujo dar as caras, quando depois de uns 15... 20
minutos, lá vem ele, com sua testa de ferro pintada de vermelho. As pessoas se
precipitaram em se posicionar nos lugares estratégicos das possíveis paradas
das portas, a fim de garantirem um lugar sentadas. Quando o trem finalmente
parou, como sempre ninguém que ia entrar esperou quem ia sair, sair. Aí fica
aquela coisa: todo mundo sinucado na porta. Mais 15 longos minutos de espera,
uns olhando para a cara dos outros e principalmente para seus respectivos
telefones celulares – não vou falar dos vendedores ambulantes que gritam a
todos pulmões. Os autofalantes dão um tempo naqueles alertas gravados e entra
em cena o locutor, ao vivo. “Por questões operacionais, esta composição não
prestará serviços”. Siiimmmm... aquele trem nããããããõooo ia a lugar algum, pelo
menos com passageiros dentro. Saímos todos para, novamente, esperar pelo
próximo que, apesar de dar as caras rapidinho, ou menos demorado que o
primeiro, foi se arrastando como uma lesma manca até a estação Luz, não sem o
anda-anda, grita-grita, vende-vende dos ambulantes... ah... isso eu já disse
que não ia dizer. Esse cenário de desordem e salve-se quem puder pode soar como
novidade, mas não é e já vem se arrastando há décadas, diuturnamente e as
justificativas, pelo menos as do serviço de autofalantes são sempre as mesmas:
obras de manutenção. Com tudo isso fica a dúvida: como é que o governo quer que
deixemos o carro em casa, quando o transporte público que deveria oferecer,
senão conforto, um mínimo de respeito a quem paga e dele precisa? Em uma
publicação na internet com dados operacionais de 2010, a própria companhia diz
que sua missão é “ofertar serviços de transporte de passageiros com padrões de
excelência que atendam às necessidades e expectativas dos usuários e da
sociedade”. Já se passaram sete longos anos e a luz no fim do túnel não está se
mostrando ao dobrar nenhuma das curvas do longo trecho da famigerada linha
7-Rubi. Em matéria publicada no site do Jornal Estadão de 10 janeiro de 2017, o
governo do Estado de São Paulo lutava na justiça para suspender uma liminar que
proibia o reajuste nas passagens do transporte metropolitano, que compreende
metrô, trens da CPTM e ônibus da EMTU. Na época, segundo o jornal, o governo projetava
arrecadação de R$ 220 milhões neste ano, com a justificava do “grave prejuízo
aos cofres do Estado em caso de suspensão definitiva dos aumentos nas tarifas
de trem, metrô e ônibus intermunicipais”. Posso até admitir que o dinheiro não
seja suficiente. Não sei. Mas como usuário do sistema de transporte público,
posso assegurar é que a coisa não está boa e merece especial e urgente atenção.
Por enquanto, eu sou mais um contribuinte dos congestionamentos que engessam a
marginal do rio tietê, todos os dias.
terça-feira, 27 de junho de 2017
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Mecânicos e mexânicos
A triste história do carro que passou a andar de lado, tipo
caranguejo
O que mais gosto nesse meu blog, é justamente a minha
presença sazonal. Não que não tenha acontecido coisas interessantes pra postar;
muito pelo contrário. Minha vida é um mar de ocorrências, umas legais, outras,
nem tanto, porém o que me falta mesmo é tempo e – na maioria dos casos –
preguiça mesmo de pôr no “papel”, as inúmeras coisas que me ocorrem ou que
apenas observo acontecer com os outros. Mas, como diria Roberto Carlos em seu
eterno calhambeque "Essa é umas das muitas histórias que acontecem
comigo”.
O assunto também envolve carro, só que não um calhambeque. O
protagonista da vez é o meu carro popular mesmo.
Como o bichinho já está comigo há alguns anos, ele sempre
reclama de alguma peça desgastada ou que está fazendo um barulhinho nesta ou
naquela articulação. Reclamação atendida, saímos do mecânico com a manutenção
em dia e entramos na primeira porta que dizia: alinhamento e balanceamento. Eu
tinha uns compromissos que poderiam ser resolvidos no interstício do tempo em
que meu camarada era submetido à calibragem ortopédica. Larguei ele lá, aos
cuidados dos caras que se apresentaram como profissionais, e fui cuidar da vida.
Voltei, entrei, liguei, andei, me irritei.
Por que?
Um pneu andava em linha reta e o outro insistia em virar à
esquerda. Ou seja, o carro saiu pior do que entrou. Mas já estávamos longe
demais para retornar no mesmo dia. No seguinte, lá fomos nós tentar consertar o
conserto. Só que os picaretas tentaram me convencer de que haviam feito um bom
trabalho e que... e que.... ah, sei lá quais argumentos usaram para me
persuadir a ir embora ou então, pagar uma nova quantia para que eles refizessem
o que já havia sido feito, quer dizer, mal feito.
OK. Depois de alguns pareceres de ambas as partes, se
convenceram de que não iriam me convencer e, vencidos, subiram meu carro
naquele elevador de novo. Mexe de cá, aperta parafuso de lá. Ficou pronto. Fui
embora sujando as mãos no volante, com a graxa deixada pelo porco e entrei na
próxima porta com placa que dizia: alinhamento e balanceamento.
Confesso que não me surpreendi quando tive de pagar pra
fazer, desta vez direito, o serviço que já havia teoricamente sido feito na
oficina anterior.
Entre voltar lá, pedir meu dinheiro de volta e ter de
parlamentar tudo de novo com aquela legião de picaretas, preferi ouvir a voz de
um amigo: esqueça isso e bola pra frente.
Resumo da ópera: o molho ficou mais caro que o peixe.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Camelos, esquimós, bactérias e laranjas
Um relato sobre a falta de preparo com que os
alunos saem do ensino regular para os cursos técnicos
Ginho de Souza
O professor
usava camelos e ursos polares para exemplificar a tolerância de determinadas
espécies a temperaturas extremas. A ideia era começar com seres, digamos,
maiorzinhos, até chegar às bactérias que não podem ser vistas a olho nu. No
frigir dos ovos, os mamíferos figurariam em uma analogia para determinar os
cuidados que se deve ter com doenças causadas por microrganismos.
A aula era
de microbiologia e o professor se empenhava em sair da explicação “arroz com
feijão”, para que seus alunos traçarem uma linha de raciocínio baseada em
elementos visíveis e, mais à frente, quando chegassem aos microscópicos,
entendessem com mais facilidade. Porém, sequer chegou a completar o primeiro
raciocínio e foi interrompido por um rapaz. _Professor. Disse ele. Se estamos
fazendo um curso de enfermagem para cuidarmos de pessoas, por que o senhor está
falando de camelos e ursos polares? Ou isso aqui é um curso de veterinária e eu
não estou sabendo?
A sala gargalhou.
O professor
coçou a cabeça, observou os ventiladores que não davam conta de dissipar o
calor do amontoado de gente debaixo da luz fluorescente... respirou... suspirou
e emendou: _Oquei. Então vou mudar a metodologia do exemplo. E prosseguiu.
Dessa vez figuraram esquimós e beduínos, em substituição a ursos polares e
camelos. _Os esquimós, disse todo paciente, suportam baixas temperaturas e os
beduínos, altas. Se trocarmos um para o habitat do outro, certamente terão
sérias complicações de adaptação.
Diante do
silêncio acompanhado da perplexidade – agora não somente do aluno que
questionou, mas da cara de “ué” – de toda a sala, o professor prosseguiu, como
que numa tentativa de elucidar a interrogação coletiva e chegar logo nos
finalmentes da prosa: _Com as bactérias acontece a mesma coisa, por exemplo, se
colocarmos um alimento congelado fora do freezer, ele certamente estragará com
maior rapidez, pois os microrganismos que não são resistentes ao frio, em
temperatura ambiente atuarão no alimento tornando-o impróprio ao consumo em menor espaço de tempo.
_ Continuo
não entendendo, professor. Levantou a mão o mesmo aluno. O senhor só me
confundiu com camelo, esquimó, urso, bactéria e, como é mesmo? Jesuíno?
A sala gargalhou novamente.
A sala gargalhou novamente.
Elegantemente,
o professor pigarreou, fez que não entendeu o gracejo e perguntou ao aluno. _O
senhor conhece a parábola do professor que ensinava matemática,
usando maçãs como exemplo?
_Não.
Respondeu.
_Então vou
contar a história. Prosseguiu o professor. _Certa vez um dedicado professor
ensinava a operação de adição a seus alunos. Ele perguntou para a sala: se
tenho três maçãs e ganho mais duas, com quantas fico? E o Joãozinho retrucou:
professor, por favor, o senhor teria como trocar as maçãs por laranjas? É que
com maçãs não consigo entender.
Entenderam
a analogia? Perguntou o professor.
A sala se
manteve em silêncio.
Foi ali que ele percebeu que a sala de aula – com alunos sendo preparados para
atuarem em hospitais, postos de saúde e outros locais onde se deve ter um
auxiliar de enfermagem – sequer sabia o significado da palavra analogia.
No final da
aula o professor pediu demissão.
E viva o
construtivismo selvagem.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Por que chamamos a hora do almoço de “hora da boia”?
Ginho de Souza
Você já notou
que no dia a dia, nós nos valemos de expressões que julgamos corriqueiras e de
fácil entendimento para definir uma ideia, porém sem sequer nos preocuparmos em
saber de onde e como surgiu tal frase ou palavra? No universo prisional então,
isso acaba sendo uma constante, principalmente para os agentes de segurança
penitenciária que, por força da função, lidam diretamente com os presos. Eles
[agentes] têm de decifrar um dialeto paralelo à sociedade que é usado pelos
internos, com uso demasiado de gírias.
A
história conta que no Brasil de décadas passadas – mais precisamente na então
Penitenciária de São Paulo (que era de população masculina, atual Feminina de
Sant'Ana), diante da rigidez imposta no cárcere, onde os presos eram proibidos
até de conversarem entre si, eles desenvolviam várias outras formas de
comunicação, algumas não verbal, como o “abano”, por exemplo.
Alguns chegavam até
a “namorar” vários anos com presas da penitenciária feminina, que fica pelo
menos a 200 metros de distância uma da outra, sem nunca tê-las visto ou tocado.
A técnica consistia em trocar as letras do alfabeto em números de vezes que se
abanava um pano. O detalhe é que ninguém podia “abanar” com o abano do outro
ou, trocando em miúdos, ninguém podia “falar” com a namorada do outro.
No livro Código
de Cela - o Mistério das Prisões, o pedagogo e profundo conhecedor do sistema
prisional paulista, Guilherme Silveira Rodrigues, além de contar histórias antológicas
que viveu ao longo do tempo em que trabalhou (e ainda trabalha) em
penitenciárias de São Paulo, também define alguns termos e palavras criadas no
cárcere e que muitas vezes saíram dos parâmetros da prisão para serem usadas à
revelia em nosso cotidiano. O glossário, se é que podemos assim definir, traduz
expressões como: pão (esse pãozinho francês que compramos na padaria) era
chamado de marroco na prisão; o vaso sanitário, por exemplo, ainda é conhecido
como “boi”, um simples recado anotado em papel chama-se “pipa”... e por aí vai:
café é moka (em referência à famosa marca do produto), viatura é bonde, etc.
Dentre tantas
esquisitices, o que chama a atenção é a palavra “boia”. Mesmo quem não está preso sabe que a hora da
boia é a hora do almoço. Mas por que boia? De onde e como surgiu esse termo
para denominar alimento ou hora de se alimentar? Em uma pesquisa rápida,
consegui algumas explicações que, se não eliminam a dúvida por completo, ao
menos dão algumas pistas para que formemos uma opinião.
O dicionário Michaelis é pragmático ao descrever boia como “Corpo flutuante destinado a marcar o lugar
de qualquer coisa submersa, como, por exemplo, uma âncora, ou destinado a
indicar perigo, ou passo difícil; Pedaço de cortiça, nas redes de pesca, para
que não afundem; Qualquer comida”.
O wiktionary diz
que “A origem do termo vem da comida servida nos quartéis, prisões ou campanhas
militares – há relatos de que foi servida na Campanha de Canudos – e que
continha feijões mal cozidos ou podres e que por isso ficavam boiando no prato
ou cumbuca. Então ‘boia’, quando utilizada no sentido de comida, tem sua origem
na imagem de um prato de comida com feijões boiando”.
Outra análise
curiosa vem do site de etimologia Origem da Palavra: “Boia viria do Latim BOIA,
‘tala de couro’, de BOVIS, ‘boi’, usada para designar todo gênero de amarras e
laços. Passou a designar também a bola de ferro ou madeira usada para
dificultar o deslocamento dos presos nas galés¹. Havia gente tão infeliz que se
oferecia para esse trabalho horrível apenas em troca de comida e abrigo; eram
chamados de ‘banaboias’. Esta palavra passou a significar “tolo, estulto,
abobado”, pois representava uma pessoa que achava boa aquela comida. Daí a
ideia de boia como comida, alimentação”.
Porém, a explicação
mais interessante e que se encaixa perfeitamente no contexto penitenciário fala
de uma presiganga² e está no livro História das prisões no Brasil: “A nau³
Príncipe Real, inutilizada para o serviço de combate e desarmada, passou a ser
usada como prisão, depois de transportar de passagem a Rainha Dona Maria I e o
príncipe regente Dom João, por ocasião da transferência da Corte portuguesa
para a colônia da América em 1807”.
O texto explica
que nas primeiras décadas do século XIX, a Santa Casa de Misericórdia fornecia
assistência alimentar aos presos e os alimentos eram transportados do
continente para a embarcação, em caldeirões sobre boias.
Fica a sugestão
para pesquisar ou simplesmente refletir
GS é
jornalista
¹Tipo de embarcação movida a remo
onde pessoas eram condenadas a trabalhos forçados, muito usada a partir do
século VI
²Navio usado como prisão, ou que
recolhe prisioneiros
³ Grande embarcação de guerra ou
mercante
Fontes:
Livro: História das prisões no
Brasil
Autor Clarissa Nunes Maia
Editora Rocco, 2009
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Em outras palavras
Em momentos é intensidade, alta tensão, calor de fundição, aço derretido
Tudo ao mesmo tempo
e se desenha alta velocidade e turbilhão
Ideias liquidificadas, centrifugadas, mosáico
Em outros é serindade, bonança,
céu de estrelas apreciado da rede que balança na varanda em noite de verão
Riacho tranquilo que desliza desviando de pedrinhas lapidadas pelo tempo
As vezes, mesmo irritada, é fera que não assusta
que não interpreta o papel
que não incorpora o mal em um coração que não permite tal sentimento dentro de si
De vez em quando se revela tempestade ameaçadora
de nuvens negras e ventos de açoite e
se assim não for, de outro modo não será
Ri, chora, entende, compreende, não entende
diz, silencia, acalanta, critica, elogia, se compadece
miscigena ideias e sensações entre o nascer e o por do sol
e quando o astro novamente brilha
se recicla, revive, vive,
Faz viver
Tradução de você
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Que presente você quer do seu amor?
Tem gente que pensa que presente é só de desembrulhar
É bom olhar de fora essa euforia, correria e desespero na busca de última hora pelo presente do dia dos namorados. O mais impressionante é que a data – assim como todas as outras forjadas pelo comércio para alavancar vendas – é anunciada desde trinta segundos após o término do dia das mães; as propagandas voltadas aos pombinhos começam a ser veiculadas assim que você entrega o presente da madre.
De qualquer forma, quem é que não gosta de ganhar presentes, seja lá que dia for? Pena que a conversa aqui esbarra na famigerada e ostensiva forma de incutir na cabeça dos menos avisados, que o presente é uma obrigação ética, moral e terminantemente obrigatória, tudo isso traduzido em objeto, em material; senão não vale. Conceitos como respeito, carinho, amizade, compreensão, parceria e, claro, amor, são usados nas propagandas apenas como pano de fundo para nos convencer a colocar a mão no bolso e consumir e consumir, desmedidamente.
A impressão que tenho é que se, eventualmente, não presenteamos com um objeto qualquer, todo o empenho, dedicação, atenção, amor e carinho demonstrados ao longo do tempo, de nada valeu. E o pior é que tem gente que pensa realmente assim. Entendo que o presente em forma de objeto é a representação materializada daquilo que sentimos por outra pessoa, no caso a amada, e não simplesmente um protocolo de atendimento a uma determinada data chancelada pelo capitalismo selvagem.
Neste dia dos namorados, seria legal se as pessoas dessem presentes embrulhados que causam surpresa ao serem abertos, mas que, antes de tudo, simbolizassem amor, carinho, compreensão, parceria, etc., etc., etc. Que fossem troféus de honra ao mérito.
Pense nisso
É bom olhar de fora essa euforia, correria e desespero na busca de última hora pelo presente do dia dos namorados. O mais impressionante é que a data – assim como todas as outras forjadas pelo comércio para alavancar vendas – é anunciada desde trinta segundos após o término do dia das mães; as propagandas voltadas aos pombinhos começam a ser veiculadas assim que você entrega o presente da madre.
De qualquer forma, quem é que não gosta de ganhar presentes, seja lá que dia for? Pena que a conversa aqui esbarra na famigerada e ostensiva forma de incutir na cabeça dos menos avisados, que o presente é uma obrigação ética, moral e terminantemente obrigatória, tudo isso traduzido em objeto, em material; senão não vale. Conceitos como respeito, carinho, amizade, compreensão, parceria e, claro, amor, são usados nas propagandas apenas como pano de fundo para nos convencer a colocar a mão no bolso e consumir e consumir, desmedidamente.
A impressão que tenho é que se, eventualmente, não presenteamos com um objeto qualquer, todo o empenho, dedicação, atenção, amor e carinho demonstrados ao longo do tempo, de nada valeu. E o pior é que tem gente que pensa realmente assim. Entendo que o presente em forma de objeto é a representação materializada daquilo que sentimos por outra pessoa, no caso a amada, e não simplesmente um protocolo de atendimento a uma determinada data chancelada pelo capitalismo selvagem.
Neste dia dos namorados, seria legal se as pessoas dessem presentes embrulhados que causam surpresa ao serem abertos, mas que, antes de tudo, simbolizassem amor, carinho, compreensão, parceria, etc., etc., etc. Que fossem troféus de honra ao mérito.
Pense nisso
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Uma inspiração
Tem dias que acordo Caetano
Em outros Vinícius ou Carlinhos Brown
Há dias em que acordo Erasmo
Em outros, precedidos por noites agitadas, acordo Rita Lee
Já acordei Tim Maia, Toquinho e, redundantemente, “Seu Jorge“ ou Benjor
Em dias chuvosos, por mais que me esforce, só acordo Paulo Diniz
Porém, nos de sol sou Samuel Rosa
Posso acordar Marcelo Nova, Marisa Monte, Taiguara, Ana Carolina
Há dias em que sou apenas um pobre amador, quando acordo Tom Jobim
E se a vida me surpreende,
Quando a ligação dura três horas
Acordo Chico César
Lenine, Elis
Sandra de Sá
Se ela me oferece mais uma dose
Acordo Frejat
Por que a gente é assim?
Hoje acordei você
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